[prece feita no corredor da universidade]
por favor, deixa ser eu, por favor, só dessa vez, eu juro que eu não peço mais nada. deixa ser eu, deixa ser eu, por favor, por favor, eu tô aqui, deixa ser eu.
[prece feita com gosto de vinho na boca e grama molhada contra as costas]
não deixa acabar assim. eu não sei, eu não sei mais o que pedir, eu só queria ser mais, mais, mais. por que eu sou tão terrivelmente mesquinha e egoísta? eu poderia só estar satisfeita, e eu rio, porque eu nunca vou estar satisfeita, eu sou mesmo igual a ele, egoísta e egocêntrica, cheia de palavras bonitas pra florear a decadência da verdade. se eu abrir os olhos ele ainda vai estar aqui e eu vou sorrir, eu vou sorrir tanto, e eu vou encarar que a felicidade é tão enorme e tão breve. chama que já vai se apagar, porque nunca vou ser eu e ele vai se afastar e eu vou ter a mera lembrança enevoada que me servirá como lâmina: todo dia eu vou me ferir, com a falsa memória de como seria se fosse eu, ao menos uma vez.
[prece feita entre cinza e fumaça de cigarro]
se não vou ser eu
deixa acabar
se não vou ser eu, por favor, por favor, tira isso de dentro de mim. se não vou ser eu, por que eu ainda insisto no se?, não serei eu, não serei eu, então deixa isso morrer. por favor, por favor, deixa isso morrer.
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