sexta-feira, 2 de maio de 2014

lemony snicket

penso infinitamente na frase que diz que se um escritor se apaixona por você, você não pode morrer. mas você pode e vai. eu acho que essa é a parte legal. inclusive porque meus textos são restritos a caderno e internet. minhas palavras nunca vão alcançar um número gritante de pessoas - mas pra mim, elas alcançam a todas que precisam. até mesmo quando elas ficam marcadas de caneta no meu caderno sem linhas, nos meus cadernos com linhas, em guardanapos e na parte de trás de notas fiscais. pequenas observações que devem se escritas. longos textos. cartas. parágrafos desconexos. às vezes acho que me falta coesão e coerência. começo escrevendo algo, logo depois estou falando de um assunto completamente diferente. como agora. minha mente divaga sobre tantos aspectos que esse texto pode abordar e eu acabo mais fazendo um metatexto do que qualquer coisa. concentração, morgana. só um pouco, pra variar.

se um escritor se apaixona por você, você vai estar presente sempre. existem escritores e escritores, existem escritores que bebem uísque e que bebem guaraná, existem escritores que fumam e escritores que fodem, e escritores que fumam depois que fodem. existem escritores grosseiros e filhos da puta e escritores gentis e carinhosos. existem escritores como existem pessoas, afinal, escritores são pessoas com uma possível dificuldade de expressão oral (nem sempre) e que acham mais fácil se colocar em palavras escritas (quase sempre).

eu nunca me vi como escritora, apesar de saber que... escrevo. nem consigo escrever isso. essa afirmação. "eu sou uma escritora". não são meus escritos, são as coisas que eu escrevo. não são contos, nem crônicas. sou eu. apesar de que meus amigos, há muito tempo, falaram que eu era as mãos do grupo - mãos de escritora. eu acho engraçado, é tão claro que eu escrevo, que escrever é algo que facilita a minha vida, que eu escrevo quando dói e quando adormece, que eu escrevo pra chorar e pra gritar e pra rir e pra amar. e eu escrevo para amar. sempre.

eu sou uma escritora. e estou apaixonada por você. e eu espero que minhas palavras cheguem até aí - até seu coração, e até suas sinapses, e até seus rins e pulmões e sangue e pâncreas. que as palavras cheguem aos pés e às mãos e aos olhos e a boca. que as palavras preencham seus ouvidos e seu nariz. que as minhas palavras alcancem a sua galáxia. o seu universo. você é um universo, e seu coração é uma galáxia e você é uma pessoa tão infinita, e eu também. olha quanta coisa cabe aqui dentro. e aí dentro.

se um escritor se apaixona por você, você não pode morrer. porque escritores são feitos de tinta. nossa tinta invisível escreve sobre a nossa pele. todas as nossas palavras e os nossos pensamentos. impressos nas nossas mãos e nos nossos olhos. você vai viver pra sempre, até mesmo depois que morrer. alguns mais pra sempre que outros - você vive até que morra todas as pessoas que te conheceram morram; no geral, mas algumas vivem mais que isso, porque escritores e desenhistas e pintores e arquitetos e músicos se apaixonaram por elas. mas elas podem nem saber. e nem ninguém mais. quando um escritor se apaixona por você, ele não quer escrever apenas sobre o seu lado bom. escritores têm uma queda por aquilo que está nas sombras. escritores vão te amar com inclusão - os seus defeitos são negativos e irritam os escritores e eles têm vontade de brigar com e mudar você. mas os seus defeitos viram defeitos dos personagens. o seu mau humor se torna uma ambientação sombria. a sua seriedade se torna uma história triste. um escritor não quer apenas o seu melhor. um escritor quer você. debaixo das máscaras. nas entrelinhas.

eu vou escrever sobre você. quando eu estiver machucada e antes e depois disso. eu vou escrever sobre você até mesmo quando não estiver escrevendo sobre você, até mesmo quando estiver escrevendo uma redação sobre porque eu acho que aumentar a pena baseando-se na reincidência do réu é contra um princípio do direito penal. eu vou escrever sobre você quando estiver escrevendo sobre outras pessoas que eu amo, porque minhas percepções sobre amor estarão afetadas por você.

e o mais importante de tudo, eu vou escrever sobre você porque eu quero. eu queria dizer que não preciso, mas eu preciso escrever. sempre e continuamente. mas eu escreverei enquanto der, enquanto você ficar e quando você for embora. porque eu quero. porque é bom. porque eu sou toda sobre tinta e cicatrizes e tatuagens. porque tatuagens são as cicatrizes que você escolheu ter - e elas são feitas de tinta, a mesma tinta que te torna imortal.

só porque um escritor se apaixonou por alguém. alguém se torna imortal acidentalmente, alguém se torna imortal porque um escritor quis imortalizar aquela risada, ou o uso da palavra oximoro, ou os olhos de cigana oblíqua e dissimulada, ou um animal que era parte da sua alma, ou um garoto que viu num trem e achou que tinha cara de harry. você percebe a grandiosidade disso? dessa pequena infinitude? desse universo criado apenas por palavras e nada mais. um universo se expandindo sempre. um universo infinito.

só porque eu me apaixonei por você.


domingo, 27 de abril de 2014

your smile is beautiful and it makes me happy

eu gosto de começar sempre reafirmando o que pra mim é óbvio: eu gosto de você. dito isso, posso me estender por essa página sobre a beleza que encontra a luta e se reflete na sua força. posso falar sobre como sua risada é gostosa e sobre como você tem voz de jornalista - uma voz séria e límpida, que se faz entender, uma voz que combina com sua educação e essa mistura de polidez e doçura tão característica a você. posso falar sobre você ser admirável - acho que admiro o fato de lutarmos juntas para manter a cabeça erguida. Já acho toda mulher admirável apenas por suportar, mas manter a cabeça ensanguentada e não curvada, como diria um poeta, não é para todos. eu vou amparar você, caso e quando você precise. você falou sobre se sentir em casa, e meu abraço é uma fortaleza - por mais que isso soe egocêntrico. eu só espero que você se sinta acolhida e amada. que você se sinta apreciada, admirada, empoderada. quero ouvir sua risada tímida e escandalosa, e saber que eu consegui fazer você rir assim, pra compensar todos os sorrisos que você me arranca. quero mesmo, muito mesmo, que meu abraço seja carinhoso e confortante pra você. acho que no fim, eu só quero conseguir fazer você sentir um pouco do que você me faz sentir.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Oh! voltai uma vez! eu sofro tanto!

talvez existam outros mundos [meus sapatos afundam na terra molhada enquanto eu penso isso] talvez existam outros mundos, mundos em que eu não esteja chorando, mundos em que eu consigo dormir, mundos em que meu irmão não tenha precisado me segurar para eu não cair no chão de tanta fraqueza nas pernas. talvez existam outros mundos [um vento frio me arrepia a nunca enquanto eu penso isso], mundos com dois sóis e três luas, mundos em que o mar é vermelho e o céu é verde, mundos em que as pessoas tenham animais como pedaços de suas almas. talvez existam outros mundos [meu coração está tão acelerado que escuto a pulsação nos meus ouvidos], mundos em que eu também possa escrever, mundos em que nós não precisemos nos esconder, mundos em que não haja humilhação a toda volta, mundos em que o sofrimento possa ser compensado por pessoas empáticas. talvez existam outros mundos [minhas pernas enfraquecem de novo, e eu quebro, quebro, quebro, meu interior está estilhaçado e me corto no meu próprio vidro, estou sangrando, minha ferida nunca vai cicatrizar, o ar me falta, sinto as mãos de meu irmão me segurarem, meus olhos não enxergam e está tudo embaçado e lento, tudo está indo, indo, eu gostaria de poder ir também, sumir no mar, ir para em qualquer outro lugar distante, tão distante quanto minhas sensações parecem agora, estou dormente e sinto que nunca mais vou acordar, estou caindo, caindo, e da minha boca só sai o seu nome, por mais que eu queira me controlar, é só nisso que eu consigo me concentrar], mundos em que você está vivo e bem, meu amor.

sábado, 5 de abril de 2014

até o mundo acabar

eu sou meio cética com relacionamentos - ou melhor, tento ser. acho que corre o risco de sofrer mais, sem a devida dose de ceticismo. ao mesmo tempo, isso só ocorre comigo. vejo vocês e me parece agora impossível desassociá-las. engraçado que eu não conheci vocês como namoradas. conheci uma e depois a outra. acompanhei a paixão de uma por um cara e a paixão de outra por uma moça. conheci vocês em universos separados, conheci cada uma em um círculo sem interseção. mas eis que o mundo gira e o tempo passa e eu não tenho mapeamento de nenhum universo, nem mesmo o meu, e os círculos se aproximaram e no final das contas, vocês duas compartilhavam uma galáxia. eu sei que agora deve doer um pouco - a volúpia da saudade, i need you so much closer, ah, a distância - e às vezes doer muito, mas é assim que acontece. o mundo gira e o tempo passa, e daqui a pouco além da galáxia, vocês estarão compartilhando um planeta. na minha cabeça, vocês estão sempre próximas - tenho uma imagem muito fixa de um abraço partilhado silenciosamente na cama, o silêncio da compreensão. espero que esses dois anos durem até que o mundo acabe, de uma maneira ou de outra. fico feliz com esses círculos que se uniram. fiquem bem. que cada dia cinco seja um lembrete do universo compartilhado entre vocês.

segunda-feira, 24 de março de 2014

you are my sweetest downfall

na primeira vez, sinto meus pés na areia macia. você está sentada de frente para o mar, o vento bagunça seu cabelo preto. caminho com um sorriso até o seu lado e me sento. você não me olha, solta um profundo suspiro e seus ombros caem. ainda sorrindo, passo meus braços ao redor de sua cintura e deito a cabeça nas suas costas.

na segunda vez, eu estou no metrô. você está folheando um livro e eu te olho, ávida. por meio segundo, você levantar o olhar e nós duas nos encaramos, e eu quase sinto você saber quem eu sou. mas o instante passa e você torna a ler o livro, deixando meu coração em frangalhos.

na terceira vez, seus olhos estão cheios de lágrimas e seu sorriso ilumina todo o seu rosto. coloco o anel no seu dedo, eu sempre fui a mais sentimental, então é deliciosamente surpreendente você estar feliz a ponto de chorar.

na quarta vez, você me acena de longe, andando de mãos dadas com um cara. sinto tudo dentro de mim quebrar, cada pequena rachadura se partindo enfim, todas as minhas cicatrizes subitamente abertas. minha cabeça roda e eu me encosto a uma árvore, desejando que essa seja a última vez. mas não é.

na quinta vez, eunãoconsigoteencontrar. falo isso rápido e sem respirar, onde está você, onde está você. que brincadeira estúpida é essa. eu sei que você está em algum lugar, mas eu não consigo te encontrar. por favor, por favor, me encontre.

na sexta vez, você está debaixo de mim, e meu sorriso é voraz, e meus dedos entram em você e você se contorce, os olhos semicerrados, a boca aberta. eu me abaixo e te beijo, de novo e de novo e de novo, porque eu acho que estamos acabando, meu amor.

na sétima vez, que é a última vez, meus pés estão mal equilibrados na sacada do prédio. você está lá embaixo. eu sorrio, porque é o grandioso fim e você vai assistir e é quase engraçado e quase doloroso que não vai doer nada em você - mas não tem problema, estou sentindo por nós duas. eu pulo e sinto o vento e você grita e finalmente isso tudo termina.

terça-feira, 18 de março de 2014

everything that downs me makes me wanna fly

eu queria poder escrever sobre o seu cheiro - mas eu não sou uma pessoa que cheira outras, no geral. nem me lembro do cheiro de ninguém. só me parece apropriado, dizer que queria escrever sobre o seu cheiro. o que isso diz sobre mim? eu não sou muito de falar o que é apropriado, e você já comprovou isso diversas vezes. eu queria poder escrever sobre a sua pele. essa afirmação sim, pura e completa verdade. eu gosto de peles. eu reparo no toque das pessoas. queria poder escrever sobre sua pele, sobre sentir sua pele. don't wanna come with me, don't wanna feel my skin on your skin? it's only natural, eu penso imediatamente, abrindo um sorriso. queria poder escrever sobre as suas mãos com pequenas cicatrizes de acidentes domésticos, mas não como algo visual, e sim táctil. queria poder escrever sobre como é beijar você, sobre como é engraçado ter medo de arrancar o piercing de alguém com um beijo. queria poder escrever sobre a textura do seu cabelo, ou sobre pequenas manias que só presencialmente eu conheceria. queria escrever sobre apertar seu nariz, sobre abraçar você, sobre segurar a sua mão, sobre deitar no seu colo, sobre acarinhar seu cabelo, queria escrever sobre aspectos sensoriais de você. mas não posso (ainda?). posso escrever sobre como você acha que eu te vejo colorido e sobre como eu acho que talvez eu veja quase todo mundo que eu amo muito mais colorido que essas pessoas veem a si mesmas. nossa, que construção de frase difícil. ah, como sempre, eu me perdendo no meio dos meus textos. hmm? colorido! você. acho você colorido. acho você lindo. acho que você se vê com injustiça, ao mesmo tempo que acho você ponderado o suficiente pra admitir seus pontos positivos. acho bonita a forma que você se relaciona com as pessoas e com o mundo. gosto da raiva da convicção. gosto da raiva que alimenta. inclusive, isso não é algo exclusivo seu. mas como o texto é sobre você, falo sobre você. eu, me explicando, como sempre. egoisticamente, gosto de como fico bem conversando com você. falar com você me deixa feliz. pensar em algo que você me disse às vezes me faz rir, no meio da rua. algumas outras coisas me fazem abrir sorrisos que eu tento encobrir. lembra a conversa sobre ser uma pessoa sonhadora? meus sonhos idiotas sempre me fazem sorrir e abaixar a cabeça envergonhada, porque eu sempre imagino nós dois adoravelmente introvertidos e tímidos um com o outro, a princípio. ahn, talvez eu não devesse escrever isso aqui. sempre me vigiando, sempre me controlando. o engraçado é que eu falo tanto, mas eu já filtro tanta coisa! imagina se não filtrasse, coitado de você, coitado de todo mundo. como todo texto que eu escrevo aqui, eu simplesmente não sei como chegar ao fim. um texto sobre você me parece uma linha de tricô que eu fico enrolando na minha mão e nunca acaba. poderia escrever sobre seus olhos pretos de corvo, ou sobre suas sobrancelhas bonitas, ou sobre como eu gosto da sua risada - de verdade. cada vez que eu a escuto, meu coração se aquece de um jeito idiota. queria continuar compartilhando músicas e pensamentos com você, por tempo indeterminado. mas eu já falei, o medo das coisas se esvaírem. por favor, fique por perto o suficiente pelo menos pra dar tempo de eu cheirar a sua pele pra escrever outro texto, sim?

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

and i miss you, and i need you, i do

sabe o que eu acho mais incrível? a gente passa eras sem se falar e sem saber muita da vida do outro, com encontros e trocas de mensagens ocasionais. e ainda assim - bem. eu me pergunto se você sente o mesmo que eu. o que eu sinto é uma profunda ternura dentro de mim, e um amor muito muito muito grande por ti. você é possivelmente o amigo por quem eu mais chorei - eu me lembro de escrever textos pra você e chorar, eu me lembro de ler textos que você escreveu pra mim e chorar e eu sei o quão ridículo é admitir isso, mas é apenas a verdade. o que me faz pensar que eu tenho uma alma muito velha em relação a você, porque eu sinto que vivo no passado quando se trata de ti - não é como se a gente tivesse muitas memórias atuais. mas a gente já viveu tanta coisa. puta que pariu. você só não é o amigo com quem eu mais briguei por conta de uma certa moça de virgem. mas com você, as brigas foram as mais violentas - oi, arranhão na cara, oi, celular atirado a algumas cadeiras de distância. e isso é mais uma prova da minha alma velha. porque tu sempre vai ser tão importante. tão. tão. tão. tão. tão importante. as coisas que você escreveu pra mim são as que mais mexem comigo. eu vou ser muito sincera. eu não sei se você me ama e se eu te amo, atualmente. mas eu sei que a gente se ama muito, principalmente há três anos. em 2010, tem uma morgamor e um átilindo se amando demais. e eu acho que é isso. eles ficam enviando o amor atual deles para seus eus futuros e desconhecidos - nós, no caso - e é isso que faz com que eu ainda te ame tanto. um punhado de lembranças boas. lembranças muito boas, argh. eu fico aqui, só querendo te amar. eu sei que a gente não vai voltar a ser como antes - i want to hold your hand, sonho de uma flauta, mary, rock and roll queen, postcards from italy, stand by me, she had the world, samson - mas vai existir sempre uma dimensão especial pairando sobre a gente (ou só sobre mim?) que não vai permitir modificações ruins nesse sentimento. é só saudade. eu lembro de quando galerinha foi dormir lá em casa e seu nome foi citado e eles ficaram falando de você e eu simplesmente comecei a chorar, porque eu sempre vou sentir a sua falta. sempre, sempre. é isso mesmo. eu estou continuamente num passado e no presente com você, meu caro. e isso teoricamente não é bom, mas eu não ligo. eu ainda te amo. bizarramente. e muito.