na primeira vez, sinto meus pés na areia macia. você está sentada de frente para o mar, o vento bagunça seu cabelo preto. caminho com um sorriso até o seu lado e me sento. você não me olha, solta um profundo suspiro e seus ombros caem. ainda sorrindo, passo meus braços ao redor de sua cintura e deito a cabeça nas suas costas.
na segunda vez, eu estou no metrô. você está folheando um livro e eu te olho, ávida. por meio segundo, você levantar o olhar e nós duas nos encaramos, e eu quase sinto você saber quem eu sou. mas o instante passa e você torna a ler o livro, deixando meu coração em frangalhos.
na terceira vez, seus olhos estão cheios de lágrimas e seu sorriso ilumina todo o seu rosto. coloco o anel no seu dedo, eu sempre fui a mais sentimental, então é deliciosamente surpreendente você estar feliz a ponto de chorar.
na quarta vez, você me acena de longe, andando de mãos dadas com um cara. sinto tudo dentro de mim quebrar, cada pequena rachadura se partindo enfim, todas as minhas cicatrizes subitamente abertas. minha cabeça roda e eu me encosto a uma árvore, desejando que essa seja a última vez. mas não é.
na quinta vez, eunãoconsigoteencontrar. falo isso rápido e sem respirar, onde está você, onde está você. que brincadeira estúpida é essa. eu sei que você está em algum lugar, mas eu não consigo te encontrar. por favor, por favor, me encontre.
na sexta vez, você está debaixo de mim, e meu sorriso é voraz, e meus dedos entram em você e você se contorce, os olhos semicerrados, a boca aberta. eu me abaixo e te beijo, de novo e de novo e de novo, porque eu acho que estamos acabando, meu amor.
na sétima vez, que é a última vez, meus pés estão mal equilibrados na sacada do prédio. você está lá embaixo. eu sorrio, porque é o grandioso fim e você vai assistir e é quase engraçado e quase doloroso que não vai doer nada em você - mas não tem problema, estou sentindo por nós duas. eu pulo e sinto o vento e você grita e finalmente isso tudo termina.
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