"como você pode ter certeza?," você pergunta, e eu não sei se é curiosidade ou desafio ou os dois.
não importa, porque eu tenho. eu tenho certeza que não seria eu, em nenhum universo paralelo, como eu tenho certeza de que não serei eu, agora, como eu tenho certeza de que vai passar alguma hora e eu apenas tenho que viver até que passe. quando você está atravessando o inferno, continue caminhando, não é assim que dizem? essa é minha marcha que não é da vitória, que nunca vai ser da vitória e cuja glória eu só irei compreender totalmente quando um dia acordar e perceber que não há mais aqui dentro o que há agora e que todos os sentimentos se transformaram. eu sei que isso vai acontecer, porque eu já vi acontecer. amizade virar paixão virar amor virar dor virar raiva virar nada voltar ao que era antes. parece que eu estou sempre me apaixonando nas mesmas circunstâncias, mesmo que por pessoas diferentes. amizade, paixão, amor, raiva. nada. alguns pararam em nada. alguns pararam em raiva. eu queria ter uma boa compreensão dos meus sentimentos ("é vontade de beijar ou de segurar a mão?", ela me perguntou, e com horror eu percebi que era vontade de segurar a mão), para que eu pudesse arranjar uma forma de vivenciá-los menos dolorosamente ou talvez contorná-los ou transformá-los em música de fundo na minha cabeça e não em um show de rock na porta da minha casa. mas quem eu quero enganar. todo mundo já conhece minha natureza, eu sou óbvia e previsível: cicatrizes e tinta, feridas autoinfligidas e machucados ocasionados da distração. eu sou óbvia, eu sou óbvia, eu sou óbvia. é nisso que eu tento me segurar, minha obviedade me promete que uma hora isso vai passar e não vai me machucar tanto. mas não adianta me segurar no futuro em que isso não vai mais doer, porque no presente isso dói, e eu estou vivendo o presente. esse presente ou um presente de uma realidade alternativa em que uma parte de você está alterada, tanto faz. o resultado não seria diferente. não sou eu, nunca seria nem serei eu.
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