can we forgive the things we've done, take our things and move along?
você se lembra como é escrever?
você se lembra de como escrever era a única coisa possível — você se lembra de quando as palavras pesavam em costelas e ombros e em pés e era como se escrever fosse a única saída? não havia mais nada a ser feito e as palavras eram enigma e solução. escrever. mais do que colocar pra fora: colocar pra fora implica em tirar de dentro, mas ainda ficava uma parte dentro de você. escrever era pensar em palavras como tatuagens e cicatrizes, palavras são as maiores marcas que podem ser deixadas. escrever era a única forma de castigo e absolvição, escrever era punição e premiação. escrever: a forma de encontrar algum tipo de salvação. escrever era ser deus e se perdoar e perdoar os outros. escrever, criar e destruir. escrever era transformar em passado tudo que estava presente. escrever era amor.
eu não lembro como era, mas está aqui, rondando.
(espero que nunca vá embora)
— uma palavra na ponta da língua, que você não consegue formular, mas sabe que ela está lá.
esse é o meu pedido de desculpas para eu mesma de anos atrás, liesel meminger amando as palavras e as usando.
esse é meu pedido de perdão por todas as palavras que eu deixei passar pela minha cabeça sem nunca transcrever e sem nunca dar uma chance para que elas viessem à luz.
essa também é minha tentativa de voltar.
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