quarta-feira, 9 de outubro de 2013

three for a girl

quando me pedem pra explicar quem é você, é muito difícil. num nível maior ou menor, eu sinto dificuldade de explicar as pessoas que eu amo. quem elas são. como elas são, então, é impossível. e você deve saber que é impossível eu tentar explicar como você é - lembra daquele dia que eu te mandei aquela mensagem? quanto mais você gosta de alguém, mais parece difícil você explicar o que gosta naquela pessoa. porque fica tudo meio borrado, sentimentalmente. eu estou há dez anos borrando tudo sentimentalmente com você. e agora me ocorreu que é uma pintura abstrata, mesmo - no começo, a tinta ia pros lugares certos. aquele começo de a gente com nove anos. as pinceladas dizendo que eu gostava disso e disso em você, e deixando claro o que eu não gostava. e então, o tempo vai passando, e a se a gente olhasse pro quadro, seriam tantas cores diferentes, e eu aposto que nada em branco. tantas, tantas cores, principalmente vermelho e verde. talvez só vermelho e verde em diferentes tons. quando pedissem para eu explicar, eu diria que a bagunça do quadro era uma representação imagética do furacão das asas de uma borboleta, ou então da força necessária pra mover as ondas do mar. uma mistura dos dois, que depois de tanto tempo, viraram quase uma coisa só. você é minha história de amor, você já sabe disso. nosso amor casado. continuamente estar amando alguém, com uma estranha certeza. porque esse é o grande ponto de quase tudo nas nossas vidas, você já notou? incerteza. "mas isso..." "mas aquilo...", como se a gente estivesse sempre que estar se prevenindo. como se a gente estivesse que estar se tranquilizando e tranquilizando a outra: "eu estou bem e estou muito feliz com isso, mas eu sei que pode dar muito errado a qualquer momento". só que a gente não tem mas. tem a gente, e um ponto final. é uma hipótese ridícula - claro que dá quase medo de falar em voz alta, só que a certeza é tão grande: é a gente. já tivemos dez anos. vão ser mais dez, e mais dez, e mais dez, e mais dez até que eu morra. ou você morra. ou a gente morra ao mesmo tempo e tenham que declarar comoriência ou qualquer coisa do tipo. e só de pensar nisso - sabe, na outra certeza, de que alguma de nós vai morrer em algum momento e a outra vai ver (a não ser na última possibilidade haha), meus olhos se encheram de lágrimas. e não só por não querer te perder. por não querer que você me perca. tem maior certeza de sentimento do que sofrer ao imaginar outra pessoa sofrendo por você? bem, bem. me perdi num mar de sentimentos. pra variar. de qualquer maneira, só tem algo que me faz imaginar bem o que a gente sente uma pela outra. um casal que chega à noite em casa e deita na cama, apenas pra conversarem sobre o dia. é isso que eu sinto com você.

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