sábado, 5 de outubro de 2013
one for sorrow
a pior parte foi que eu construí tudo. cada mensagem de texto virava uma peça do quebra-cabeça que eu estava montando, cada pequena palavra, cada pequeno gesto. a carta, então, parecia uma daquelas peças que você demora horas para achar o lugar, e quando acha, fica morto de feliz. minhas mãos estavam sujas de argila psicológica, enquanto eu ia moldando todos os caminhos. foi a maior certeza que eu já tive, eu estava tão certa que nem medo mais poderia sentir. como no dia que eu usei um baralho inteiro para fazer um castelo de cartas imenso e ele ficou de pé. foi tão lindo! ele ficou de pé e fui eu que o derrubei, cruelmente desfazendo suas bases. só que nesse caso, foi bem diferente. as bases do castelo já estavam mal feitas. eu pensava que elas estavam perfeitas e fui só colocando mais e mais cartas. uma pena. quando ele ruiu, eu não pude acreditar. e nem havia rajada de vento para culpar, eu que deveria ter prestado mais atenção. ter acreditado menos. ter tido mais medo. bem, isso serviu para me dar medo, pelo menos. porque doeu tanto tanto tanto. no dia, foi só uma estranha raiva, os olhos secos. mas depois veio a percepção, o baque emocional, o choro sufocado no travesseiro, sozinha à noite, eu mesma me abraçando, uma cena patética, uma maneira de não tentar incomodar mais ninguém, não mais do que eu já estava incomodando. então, essa foi a grande lição que eu levei: um pé atrás sempre, nada de castelos de cartas muito altos, moldar na argila é coisa de filme com fantasma e eu nunca fui muito boa com quebra-cabeças.
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