sábado, 19 de outubro de 2013
plane-ology
hoje deve ser o dia mais triste e esquisito e deu um trovão horrível agora, mas eu gosto de trovões, então tudo bem. o cord me mandou uma mensagem dizendo que você já deve estar no avião a essa hora. meu coração já está constantemente meio partido, mas isso aumentou um pouquinho o rasgo. coração de papel, fazer o que. eu deveria ser boa nessa coisa de distância, mas é mais fácil quando é você distante - não mais fácil, mas mais... ah, você vai entender. você vai ter (e insira aqui a voz do mr. collins) winnipeg, manitoba! toda aos seus pés. espero que você goste de lá. eu particularmente acho que você vai gostar. e que vai se dar bem. e que você é bem mais desenvolta que eu, então não vai passar tanto tempo pra encontrar gente legal. até porque, o tempo que você vai ficar lá é igual ao tempo que eu passei sozinha aqui. se, por alguma razão muito bizarra, você não--ah, essa ideia é tão ridícula. não existe um mundo em que você não faça pessoas ao seu redor quererem ser suas amigas, simples assim. os canadenses estão com sorte. não sei, tô me sentindo toda errada escrevendo isso. eu queria ter me despedido de você com um abraço muito apertado, com um monte de beijos, com um presente, com algo que não um texto, mas a distância, a distância. parece que esse vai ser o grande tema da minha vida. enfim. não tô sabendo escrever, esse texto já tá aberto a uma hora e alguma coisa. você não deve estar dormindo, eu gosto de imaginar que você está ouvindo músicas e pensando na anna. espero que tenha o que você ler, na viagem. espero, espero, espero. só consigo lembrar que eu não vou te ver por mais tempo que todo mundo e argh. perdoa. perdoa o meu estado de espírito errado. perdoa a minha chatice. vamos terminar dizendo que eu realmente acho que você vai se dar muito bem na sua viagem. e eu te amo. e eu e o cordeiro choramos de saudade.
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
three for a girl
quando me pedem pra explicar quem é você, é muito difícil. num nível maior ou menor, eu sinto dificuldade de explicar as pessoas que eu amo. quem elas são. como elas são, então, é impossível. e você deve saber que é impossível eu tentar explicar como você é - lembra daquele dia que eu te mandei aquela mensagem? quanto mais você gosta de alguém, mais parece difícil você explicar o que gosta naquela pessoa. porque fica tudo meio borrado, sentimentalmente. eu estou há dez anos borrando tudo sentimentalmente com você. e agora me ocorreu que é uma pintura abstrata, mesmo - no começo, a tinta ia pros lugares certos. aquele começo de a gente com nove anos. as pinceladas dizendo que eu gostava disso e disso em você, e deixando claro o que eu não gostava. e então, o tempo vai passando, e a se a gente olhasse pro quadro, seriam tantas cores diferentes, e eu aposto que nada em branco. tantas, tantas cores, principalmente vermelho e verde. talvez só vermelho e verde em diferentes tons. quando pedissem para eu explicar, eu diria que a bagunça do quadro era uma representação imagética do furacão das asas de uma borboleta, ou então da força necessária pra mover as ondas do mar. uma mistura dos dois, que depois de tanto tempo, viraram quase uma coisa só. você é minha história de amor, você já sabe disso. nosso amor casado. continuamente estar amando alguém, com uma estranha certeza. porque esse é o grande ponto de quase tudo nas nossas vidas, você já notou? incerteza. "mas isso..." "mas aquilo...", como se a gente estivesse sempre que estar se prevenindo. como se a gente estivesse que estar se tranquilizando e tranquilizando a outra: "eu estou bem e estou muito feliz com isso, mas eu sei que pode dar muito errado a qualquer momento". só que a gente não tem mas. tem a gente, e um ponto final. é uma hipótese ridícula - claro que dá quase medo de falar em voz alta, só que a certeza é tão grande: é a gente. já tivemos dez anos. vão ser mais dez, e mais dez, e mais dez, e mais dez até que eu morra. ou você morra. ou a gente morra ao mesmo tempo e tenham que declarar comoriência ou qualquer coisa do tipo. e só de pensar nisso - sabe, na outra certeza, de que alguma de nós vai morrer em algum momento e a outra vai ver (a não ser na última possibilidade haha), meus olhos se encheram de lágrimas. e não só por não querer te perder. por não querer que você me perca. tem maior certeza de sentimento do que sofrer ao imaginar outra pessoa sofrendo por você? bem, bem. me perdi num mar de sentimentos. pra variar. de qualquer maneira, só tem algo que me faz imaginar bem o que a gente sente uma pela outra. um casal que chega à noite em casa e deita na cama, apenas pra conversarem sobre o dia. é isso que eu sinto com você.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
two for joy
você não vai vestida assim. nem assim. troca de roupa. de novo. e de novo, e de novo. nenhuma roupa vai ficar boa, aceita logo que dói menos. bem, dito isso, e agora? você vai mesmo? você percebe que não conhece ninguém? digo, você só conversou com a menina por, não sei, uns quinze minutos no corredor da faculdade. só porque ela estava com uma blusa dos targaryen, não significa nada. e os amigos dela. meu deus, você é tonta? isso vai dar tão errado, dona morgana. tão claramente errado. mas quantas vezes você não já saiu com algumas pessoas pra nunca mais, quando em brasília? vai ser só mais um catastrófico episódio de silêncios constrangedores, momentos de você desejar desesperadamente sair, ligar pro seu pai emergencialmente pedindo para, pelo amor de deus, ele te buscar. é isso. só mais uma noite terrível dentre tantas noites terríveis, você pode lidar com mais uma. certo? certo? enfia um sorriso nessa sua cara e se prepara para mais um momento de vergonha na sua vida, garota.
(tão. absolutamente. errada. obrigada.)
(tão. absolutamente. errada. obrigada.)
sábado, 5 de outubro de 2013
one for sorrow
a pior parte foi que eu construí tudo. cada mensagem de texto virava uma peça do quebra-cabeça que eu estava montando, cada pequena palavra, cada pequeno gesto. a carta, então, parecia uma daquelas peças que você demora horas para achar o lugar, e quando acha, fica morto de feliz. minhas mãos estavam sujas de argila psicológica, enquanto eu ia moldando todos os caminhos. foi a maior certeza que eu já tive, eu estava tão certa que nem medo mais poderia sentir. como no dia que eu usei um baralho inteiro para fazer um castelo de cartas imenso e ele ficou de pé. foi tão lindo! ele ficou de pé e fui eu que o derrubei, cruelmente desfazendo suas bases. só que nesse caso, foi bem diferente. as bases do castelo já estavam mal feitas. eu pensava que elas estavam perfeitas e fui só colocando mais e mais cartas. uma pena. quando ele ruiu, eu não pude acreditar. e nem havia rajada de vento para culpar, eu que deveria ter prestado mais atenção. ter acreditado menos. ter tido mais medo. bem, isso serviu para me dar medo, pelo menos. porque doeu tanto tanto tanto. no dia, foi só uma estranha raiva, os olhos secos. mas depois veio a percepção, o baque emocional, o choro sufocado no travesseiro, sozinha à noite, eu mesma me abraçando, uma cena patética, uma maneira de não tentar incomodar mais ninguém, não mais do que eu já estava incomodando. então, essa foi a grande lição que eu levei: um pé atrás sempre, nada de castelos de cartas muito altos, moldar na argila é coisa de filme com fantasma e eu nunca fui muito boa com quebra-cabeças.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
átomos
ela é minha rainha preferida. eu tenho repetido isso faz, o que? três anos? três anos de ela ser minha rainha preferida, mas acho que uns cinco de admiração longínqua sem realeza. nossa! exatamente cinco anos, porque a lovers' end fez cinco anos ontem, e eu a conheci lendo essa história. ah, meu deus, cinco anos. tempo pra caralho. espera, saí do ponto. que é algo que sempre acontece quando eu tenho que falar dela. eu coloquei transatlanticism pra tocar, porque já foi a música dela também. eu a conheci de uma maneira e ela agora é de outra maneira, mas tem uma coisa que o machado de assis falou sobre a capitu, que a capitu mais velha sempre esteve dentro da mais nova, como fruta dentro da casca, ou uma comparação do tipo. ela me conheceu diferente, também. faz dois anos - isso tudo, também? minha nossa - que eu mandei uma lira dos vinte anos pra ela, e acho que aquilo vai representar pra sempre a síntese do que eu sinto por ela. na minha cabeça, ela ia guardar carinhosamente o livrinho feito a mão com canetas coloridas e lápis de cor, e ia abri-lo de vez em quando. acho que a realidade não é essa, mas não tem problema. as palavras ficam em algum lugar. por mais que você esqueça delas, elas estão aí dentro, em algum lugar. isso era pra ser um post de aniversário, tive que me lembrar. porque não está sendo e não está parecendo, mas - mas eu ainda te amo, e eu ainda tenho medo de um dia você olhar pra mim só como uma memória muito longínqua, e você ainda é uma das minhas pessoas preferidas do mundo. cinco anos de contínua admiração e respeito por quem tu é. cinco anos disso, você entende? cinco anos que sempre aumentarão, porque eu duvido muito que isso vá mudar em algum momento. ela que fez com que eu pudesse me ver bonita, ela que fez eu acreditar em poder ser uma pessoa querida. não tem post de aniversário que eu possa fazer pra compensar isso, não tem nada, na verdade. o clichê dos clichês é: o aniversário é seu, mas o presente é meu. não é que faz sentido? não é que é verdade? a sua tristeza sempre esteve num lugar inatingível para mim, e eu sempre quis conseguir chegar lá e fazer carinho em você até passar, mas isso não é possível, infelizmente. eu sei que tá tudo sem pé nem cabeça. eu sei que tá tudo diferente. pra mim. acho que pra ti. acho que... que eu só posso desejar, rainha preferida. que seja doce.
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