segunda-feira, 22 de setembro de 2014

and i know i'm naive, but if anything that's what's going to save me

eu deitei no chão pra ver o mundo da mesma altura da minha cachorra, e ele me pareceu imenso.

a gente estava nos balanços com dez anos de idade, e éramos três. a gente estava no quarto e tínhamos catorze anos e éramos sete. a gente esteve em muitos lugares, e já fomos duas e dois, e três, e muitas vezes quatro e cinco. agora eu estou aqui e sou uma só. eu perguntei pra ela se não tinham aquele brinquedo em salvador, e ela disse que não, então ela ganhou um. e eu também descobri que pardal só tinha no ceará. eu mostrei pra ela a praça verde do dragão do mar. ela chorou na hora de ir embora, eu não.ele começou a chorar quando a gente tava dançando e eu comecei a rir porque eu não conseguia chorar. ele falou que aquele dia, que era o último dia, tinham sido um bom dia. a gente passou as mãos no rosto um do outro e se beijou, e alguma coisa devia ter terminado ali. o primeiro e último.tinha alguma coisa sobre o ano-novo, e esse ano vai ser diferente. eu não tinha chorado antes de ir embora, mas eu já chorei depois que fui. fico pensando se doía mais antes. já tinha me perguntado, sabe quando dizem que quando você tá apanhando muito, uma hora para de doer? eu fico chorando e chorando e chorando e às vezes eu nem sei porque, outras vezes acho que sei, sim, só não quero olhar. é involuntário a gente ser uma ilha? porque por mim eu seria uma árvore. uma vez ela me disse que baobás eram coisas tristes, mas seria bom dividir um pouco dos seus átomos com um baobá. nasci debaixo de um sol que determinou que eu ia sentir demais e por vezes eu sinto raiva disso e queria só segurar e controlar um pouco, mas parece que o lance é aceitar que como você é agora não é como você vai ser sempre, por mais que você ache que sempre é a mesma pessoa. eu sinto que eu não mudei nada dos quinze anos pra cá, mas existe algo em mim que grita que eu mudei, sim, sem saber se pro bem ou pro mal. e as pessoas ao meu redor, umas ficaram e outras não. será que eu criei uma couraça de espinhos? eu olho pra esses espinhos todos e penso em como eles surgiram aqui, porque em algum lugar não havia espinhos, só feridinhas e cicatrizes, e eu lembro de a gente - cinco - andando até a casa perto do colégio e cantando que não tinha aprendido a se render, que caia o inimigo então.

eu deitei no chão pra ver o mundo, e ele é tão imenso! 

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