no meu livro preferido, eu sou o mensageiro, o personagem principal se acha uma grande inutilidade de espaço no mundo. logo no começo, uma pessoa fala para ele: tu é um homem morto. isso fica na cabeça dele. o resto da história corre, e é sobre ajudar os outros e se ajudar, principalmente, é sobre tentar ser melhor consigo mesmo, é sobre pequenas coisas que são grandes; e no final, a mesma pessoa pergunta a ele você tá olhando pra um homem morto? e o não vem facilmente aos lábios do protagonista.
às vezes (muitas vezes) eu acho que você pensa que está olhando para um homem morto quando se vê no espelho, e aqui eu queria fazer o exercício de ser a sua consciência por uns instantes e sussurrar não não não não, até a resposta deixar sua mente e se tornar real através da sua fala.
eu não sei se eu deveria estar te falando todas essas coisas, veja bem: muitas vezes, nós temos a boa intenção de tentar apoiar os amigos, mas as palavras acabam ferindo mais do que ajudando, ditas com uma intenção e recebidas com outra interpretação. é normal. afinal, palavras são presentes que você não averiguou anteriormente se a pessoa queria ou não ganhar. eu só posso falá-las, e você pode recebê-las da forma que for, e mesmo que elas te machuquem (e eu sinto muito, eu sinto tanto, se for o caso), eu espero que você se lembre que elas não foram ditas com nada além do mais puro carinho do meu coração.
lembra que você é o ás de copas, passarinho.
os ás de copas é tão cheio de potencial. e existem tantos bloqueios, eu sei, externos e internos, e machucados que vieram sabe-se lá de onde e você só consegue ver os hematomas, mas se existe algo sobre você para além de todo esse tempo nublado (e existe, na realidade, não é uma questão de se), é que você é totalmente capaz de guiar seu próprio destino. sabe, aquele poema? my head is bloody, but unbowed. todos os machucados doem tanto, eu sei, mas todos os machucados também tem uma maneira de curar (pode até mesmo ser com um beijinho de mãe no local, não é mesmo?).
você é tão maior do que o que você vê. chega a ser engraçada a disparidade, a diferença que faz o ponto de vista do observador. algumas horas na sua presença foram suficientes para eu passar os dias seguintes sorrindo o tempo todo, suficientes para eu desejar inúmeras vezes que pudéssemos nos encontrar com uma frequência maior. você transmite um senso de tranquilidade tão grande.
você é um bom amigo.
e pode até ser que você não saiba o que você quer fazer, mesmo que saiba o que não quer fazer, mas você vai encontrar aquilo que pode te satisfazer da forma que você busca estar satisfeito. ou talvez você nunca esteja satisfeito, e por isso sempre busque mais, mas essa busca será menos torturante e mais gratificante do que parece hoje.
talvez você ache que eu esteja dizendo um monte de besteiras e se pergunte em como eu posso acreditar em tantas bobagens, mas o fato é que eu acredito em você, porque você é que nem todo mundo, e todo mundo é tão cheio de potencial, tão capaz, todo mundo guarda um pequeno universo dentro de si, você não é diferente. e eu vejo seu universo, e ele está em expansão, e eu gostaria que você o amasse tanto quanto eu o amo.
eu espero que esse dia chegue, e eu não me importo no tempo que eu tenha que esperar. até lá, eu vou continuar tentando te fazer se enxergar através das minhas lentes, nem que seja só um pouquinho. só o suficiente pra você lembrar que não está só.