sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

coração escorpiano

eu tenho que acreditar piamente que o posicionamento dos astros no instante do meu nascimento fez isso comigo. porque a opção de eu simplesmente ser assim, independente de estrelas e planetas e satélites naturais, é terrível demais. me deixem acreditar que sentir falta de tudo que aconteceu e essa nostalgia que se agarra no meu peito feito erva daninha é culpa de um mau posicionamento da galáxia inteira. só sei sentir saudade, me parece. faço o contrário do que as músicas e os filmes aconselham - meus olhos só se voltam para trás, para antes; em algum momento eu espero conseguir pensar em além, para onde ir, o que vai acontecer, doravante, porvir. infelizmente sou toda feita de memórias e cicatrizes e tatuagens invisíveis, ontem, há, houve. queria conseguir controlar a cabeça em marcha ré. todos avançam e eu vou pela contramão mais errada possível. não se pode querer ter uma pessoa que é um museu na vida. não tenho nada a oferecer, senão aquilo que já foi. a história já contada; o dia que passou. o depois se torna antes num piscar de olhos. nunca me senti tão desconectada; sei que estou vivendo o presente e me preparando para um futuro, ainda que forçosamente, mas.

mas.

eu não aguento mais me despedir de todas as coisas, todos os dias, todas as horas. é amarga uma vida de dizer adeus.