quarta-feira, 5 de novembro de 2014
réquiem
é estranho quando a gente fala e só recebe silêncio e esse silêncio não é proposital. a gente fala na cabeça e fala alto só, e fala olhando pra lâmpada do quarto e pras estrelas mortas pela janela. e silêncio. acho que uma vez te disseram que você tinha olhos traquinas, ou algo assim, uma palavra bem específica sobre seus olhos. eu sorrio quando lembro porque faz com que eu perceba que você é querida. eu imagino você e seus olhinhos de estrelas na sua livraria. sua livraria não vai ter silêncios, que livraria tem silêncio hoje em dia? mas talvez numa tarde de domingo ela seja silenciosa e você passe as mãos por algum livro e pense no silêncio sem retorno. o belchior cantou que aprendeu com a dor a alegria. uma vez eu li que o universo cuida de todos os seus pássaros. será que você tem olhos de pássaro? olhos de assum preto, com silêncio e música e dor. espero que seus silêncios passem a doer menos com o tempo. não sei se certas dores passam, ou só adormecem por um tempo e retornam ou se ficam constantes e diárias, quem sabe desbotando com o tempo. as palavras nos livros vão sumindo nas páginas, mas por vezes não somem da nossa cabeça. eu não sei, moça dos olhos bonitos. queria te oferecer flores ou palavras ou uma xícara de café, mas - no silêncio, eu te abraço.
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